Partindo de um diálogo entre os campos da memória, história e literatura, o seguinte livro se propõe a analisar o romance Senhora (1875), escrito por José de Alencar, quanto à representação que este faz da sociedade do Rio de Janeiro, entre as décadas de 1850 e 1870, incluindo suas práticas e costumes, entre eles o chamado casamento de conveniência. Concebido como uma forma de obtenção de status econômico e social entre as famílias aristocráticas do período, percebeu-se que, na referida obra, essa prática, que tinha na concessão do dote das noivas a sua característica comercial mais nítida, foi discriminada por Alencar como algo contrário ao ideal de amor conjugal, difundido pelo autor em outros de seus romances urbanos. Ao criticar o matrimônio como uma espécie de mercado de peças, na qual a noiva oferece o valor mais alto para adquirir o noivo desejado, José de Alencar possivelmente faz uma analogia com o regime escravocrata, vigente no Brasil da segunda metade do século XIX. Criando um enredo em que a jovem compra o marido que a rejeitara quando moça pobre, Alencar subverte a suposta ordem dentro do matrimônio, colocando a mulher como provedora do lar e senhora, e o marido como vassalo da mesma.
Detalhes do produto
Editora : Dialética (15 fevereiro 2023)
Idioma : Português
Capa comum : 188 páginas
ISBN-10 : 6525270650
ISBN-13 : 978-6525270654
Dimensões : 15.5 x 1.1 x 23 cm
Ranking dos mais vendidos: Nº 356.735 em Livros (Conheça o Top 100 na categoria Livros)
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